A vacina brasileira contra cocaína e crack da Universidade Federal de Minas Gerais venceu o Prêmio Euro Inovação de Saúde. A Calixcoca ganhou na categoria “Destaque”. Ela atua de forma preventiva no tratamento de dependentes químicos.
A equipe de cientistas recebeu 500 mil euros, o equivalente a R$ 2.532.200,00. O Prêmio Euro é organizado pela multinacional farmacêutica Eurofarma, que atua em 20 países, e foi divulgado esta semana em São Paulo.
“Essa conquista representa uma grande vitória para a comunidade de pesquisadores da UFMG e para a ciência brasileira. A Calixcoca traz esperança por se apresentar como uma importante alternativa de tratamento contra as drogas”, afirmou Frederico Garcia, coordenador da pesquisa e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina.
A reitora da UFMG, Sandra Goulart Almeida, comemorou a vitória da equipe de cientistas e falou quais serão os próximos passos para que a vacina seja colocada para uso.
“Há, ainda, um longo caminho a percorrer, e esse prêmio nos estimula a continuar trabalhando para que a vacina cumpra todas as suas etapas de desenvolvimento”, destacou a reitora.
Independentemente disso, para os pesquisadores, a conquista do Prêmio Euro é sobretudo o reconhecimento do empenho de um grupo imenso pela causa social.
O medicamento induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea.A ligação transforma a droga numa molécula grande, que não passa pela barreira hematoencefálica.
O estudo foi submetido a etapas pré-clínicas para verificação de segurança e eficácia para tratamento da dependência de crack e cocaína.
Também foi observada a prevenção de consequências obstétricas e fetais da exposição às drogas durante a gravidez em animais.
Frederico Garcia destacou os resultados obtidos até o momento nos testes da Calixcoca. Mas alertou sobre os cuidados que se deve ter.
“Ela não seria indicada indiscriminadamente para todas as pessoas com transtorno por uso de cocaína. É preciso fazer uma avaliação científica para identificar com precisão como ela funcionaria e para quem, de fato, ela seria eficaz”, alertou.
Nos testes foi possível observar ainda que a vacina quando aplicada em ratas grávidas produziu níveis significativos de anticorpos. Houve ação da droga sobre a placenta e o feto, com menos complicações obstétricas, maior número de filhotes e maior peso do que as não vacinadas.