Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), foi preso nesta segunda-feira (3) durante depoimento à CPI do INSS, acusado de apresentar informações falsas e contradições. Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, ele tem 64 anos e um histórico de envolvimento político e judicial. Já disputou cargos de deputado estadual e federal pelo PMDB e PRB, ficando na suplência em 2014 e 2018, e teve suas contas de campanha desaprovadas em 2019, sendo obrigado a devolver mais de R$ 21 mil.
Em 2015, Lincoln foi preso na Operação Enredados, da Polícia Federal, que investigou fraudes em permissões de pesca industrial emitidas pelo Ministério da Pesca. Na época, ele presidia a Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) e acabou afastado do PRB no Rio Grande do Norte. Após deixar a CNPA, fundou em 2020 a CBPA, que atualmente é investigada pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, por suspeita de descontos irregulares em benefícios do INSS entre 2019 e 2024.
Durante a CPI do INSS, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, ordenou a prisão de Lincoln por entender que ele mentiu ou omitiu informações enquanto testemunha. Ele permaneceu em silêncio em boa parte da sessão. Tanto ele quanto a CBPA tiveram bens bloqueados por ordem da Advocacia-Geral da União. Essa foi a terceira prisão realizada pela CPMI, que também já deteve o presidente da Conafer e um ex-diretor ligado ao caso conhecido como “Careca do INSS”.