A professora de biologia Paula Dorti vai fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela 16ª vez a partir deste domingo (5), em Natal. Ela sonha em cursar faculdade de medicina.
Paula poderá, inclusive, dividir a sala de prova com alguns dos seus mais de 100 alunos que estão concluindo o ensino médio, e que ainda eram bebês quando ela fez o exame pela primeira vez, em 2007. No mesmo ano, ela passou no vestibular para biologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Desde então, a única edição da qual a professora não participou foi a de 2012, porque estava em um intercâmbio.
Aos 34 anos, a candidata revela que já pensou em desistir da busca pela aprovação, mas sempre recebe sinais para perseverar. Em 2021 e 2022 ela ficou na suplência das vagas.
"Não desisti. Não quero fazer medicina por status ou por questões financeiras. É um sonho que Deus colocou no meu coração, para eu ajudar outras pessoas. Por isso não desisto. A hora ainda não chegou. Sou uma boa professora, tenho mestrado, ensino em uma boa escola. Se fosse por status, poderia seguir nessa linha", diz.
Paula conta que se dedicou mais fortemente aos estudos durante os primeiros cinco anos. Nas últimas edições, por causa do trabalho, do mestrado, e de outras obrigações, ela passou a estudar mais no segundo semestre, perto das provas.
Em 2023, ela conta que apenas realizou algumas revisões e busca se preparar emocionalmente. "Esse ano eu estava bastante desapontada. O emocional conta bastante na prova", revela.
Mudanças
Ao longo dos anos, a professora presenciou várias mudanças no Enem. Nas primeiras edições das quais participou, as notas eram usadas apenas para concessão de bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni).
Em 2009, a prova passou a substituir o vestibular em algumas universidades públicas do país. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde a professora sonha cursar medicina, o Enem passou a ser usado como processo de seleção em 2011.
"Acredito que a prova continua seguindo os mesmos padrões, com muito texto, demasiada leitura, mas observei a prova de natureza um pouco mais conteudista nos últimos anos", considera.
g1RN