Primeiro colocado em medicina na Universidade Federal de São Carlos, Paulo Arnaldo decidiu não se matricular. Desde o início da preparação para o vestibular, o objetivo era claro: cursar bacharelado em música, com habilitação em piano, na USP. Medicina nunca foi opção — a aprovação veio quando usou a nota do Enem apenas para testar o desempenho.
Apesar da surpresa com o primeiro lugar, Paulo afirma que a decisão é vocacional. Para ele, seguir uma carreira sem interesse compromete a realização pessoal e profissional. “É uma recompensa pelo esforço, mas não é o que quero fazer”, diz, ressaltando que a música sempre foi seu projeto de vida.
Filho de músicos amadores, nasceu em São José do Rio Preto (SP) e teve contato precoce com a música. Começou no violino aos três anos, passou pelo saxofone e encontrou no piano sua principal vocação, intensificada durante a pandemia. O instrumento, segundo ele, oferece maior independência artística e repertório solo mais amplo.
Sem cursinho, conciliou a escola com até sete horas diárias de estudo musical. Aluno destacado, conquistou medalhas em olimpíadas acadêmicas e credita à disciplina e à prática artística o bom desempenho no vestibular. “A música ajuda a lidar com pressão e ansiedade”, afirma.
Com apoio dos pais e da escola, participou de recitais, concursos nacionais e de um curso internacional em Varsóvia, na Polônia, no Instituto Chopin. Aprovado também na Unesp, escolheu a USP pela identificação acadêmica. Para o futuro, planeja atuar como pianista e professor, com especialização no exterior, confiante de que é possível viver da música.
Com informações de O Tempo