Imagem: Magnus Nascimento
19/11/2025 às 07:14

Prefeitura de Natal quer zerar fila por diagnóstico de autismo em 9 meses

Com a meta de zerar a fila de espera com 5.794 crianças com suspeita de autismo em até 9 meses, a Prefeitura do Natal deu início ao novo serviço de Avaliação Global, que passou a funcionar no Espaço Crescer, no bairro do Alecrim. A proposta é ampliar o diagnóstico precoce e agilizar o encaminhamento para terapias, atendendo até 600 crianças por mês com suporte de equipe multidisciplinar. O público-alvo são crianças de 0 a 14 anos e 11 meses.

O novo serviço conta com duas equipes, uma por turno (manhã e tarde), compostas por profissionais de uma rede multidisciplinar de psicólogos, fonoaudiólogos, aplicadores de ABA, psicopedagogos, nutricionistas e neuropsicólogos, além do suporte de um neuropediatra.

A diretora do CEI Leste II, Érica Melo, explica que os agendamentos são feitos pela regulação das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Após a avaliação primária e o atendimento inicial nas UBS, os especialistas encaminham os casos para o CEI.

Ao chegar, a criança passa pela triagem com um psicólogo. Érica Melo detalha o fluxo: nos casos de grau de suporte 1, a criança permanece no Centro para prosseguir com os atendimentos. Caso seja de suporte 2 ou 3, a criança é encaminhada para o Centro Especializado de Reabilitação Adulto Infantil (CERAI).

A diretora conta que, devido ao longo tempo de espera na fila, muitas crianças já estão chegando com algum laudo. Nesses casos, elas seguem o atendimento para serem encaminhadas para as terapias. Cada criança pode passar por até 10 sessões com os especialistas.

É o caso de José Davi, de 7 anos, que estava acompanhado da mãe, Katiucia de Oliveira, dona de casa. Eles residem no Bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal. Para conseguir realizar todas as avaliações em um dia, eles chegaram ao Centro às 7 horas da manhã.

Katiucia conta como decidiu buscar ajuda médica especializada. “Eu percebi alguns sinais quando ele tinha 4 anos. Ele quase não dormia, era muito agressivo e tinha muita ansiedade, foi quando comecei a procurar os médicos”, relata.

A mãe conta que o filho estava na fila há 2 anos e, por causa da demora, Katiucia recorreu ao atendimento particular, com apoio da Defensoria Pública, para o laudo. Então, o filho foi diagnosticado com cinco classificações de CID e uma de TOD (Transtorno Opositivo Desafiador).

No CEI Leste II, José Davi já havia sido atendido por três especialistas. “Aqui ele já passou pelo psicólogo, neuropsicólogo e psicopedagogo. Agora estamos esperando o aplicador de ABA, fonoaudiólogo e nutricionista”, relata a mãe. “O que queremos é dar continuidade aos tratamentos dele, seguir com as terapias”, completa.

Érica Melo, diretora do CEI Leste II, explica que, durante o tratamento, os profissionais atuam de forma integrada, compartilhando análises e observações que, posteriormente, resultam em um relatório final de avaliação da criança.

A família, então, deve levar o documento para a avaliação de um neuropediatra ou psiquiatra para a obtenção do laudo final.

A diretora faz um apelo aos responsáveis: “Estamos notando um alto índice de ausência das crianças que estão sendo convocadas para as novas vagas. Muitas crianças estão sendo liberadas para o atendimento, mas não estão comparecendo”, conta. Foram chamadas 245 crianças da fila, mas muitas não compareceram.

“Nós pedimos às famílias que verifiquem o sistema, vão à unidade de saúde e confiram se o celular e endereço estão atualizados. Nós estamos entrando em contato com todos da fila, por ordem”, finaliza a diretora, acrescentando que o objetivo é zerar a fila de espera para os atendimentos.

O secretário de saúde de Natal, Geraldo Pinho, explica que o principal gargalo hoje no atendimento às crianças com suspeita de autismo é a ausência de um fluxo organizado, com protocolos definidos para triagem, encaminhamento e acompanhamento.

“Com a abertura do Espaço Crescer, ampliamos significativamente a oferta de vagas para avaliação global, permitindo que mais crianças sejam atendidas em menos tempo”, explica. “Essa expansão de capacidade impactará diretamente na redução das filas de espera, garantindo que as famílias obtenham um diagnóstico e um plano de intervenção de forma mais ágil e eficiente”, compartilha o secretário.

De acordo com ele, os próximos passos do serviço incluem investimentos na ampliação e manutenção da estrutura, como a criação de uma sala multissensorial.

“Além disso, está prevista a expansão do serviço para a Policlínica Norte, o que permitirá aumentar o acesso, descentralizar o atendimento e beneficiar um número ainda maior de crianças e famílias”, finaliza.

 

Tribuna do Norte 


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