A Petrobras está direcionando seu foco para o Rio Grande do Norte como ponto de partida para suas operações na Margem Equatorial, uma nova fronteira de exploração em águas profundas de petróleo e gás. Devido às complicações na obtenção de licenças ambientais para perfuração de poços na bacia da foz do rio Amazonas, a empresa solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que desse prioridade ao licenciamento de dois blocos na bacia Potiguar. Espera-se que a liberação ocorra ainda em outubro.
Na terça-feira passada (26), o Ibama anunciou a concessão da Licença de Operação para a perfuração de poços no Campo de Pitu Oeste, em águas profundas, na Bacia Potiguar. Esta área está situada a cerca de 60 km da costa do Rio Grande do Norte, em uma profundidade de água de 1.844 metros, com uma profundidade final de 4.200 metros.
A governadora do Estado, Fátima Bezerra (PT), expressou otimismo sobre essa nova fronteira de exploração e seus benefícios econômicos: "É uma nova fronteira que se abre para o Rio Grande do Norte na retomada do setor de Petróleo e Gás. É um novo ciclo que proporcionará mais geração de empregos e renda."
A Margem Equatorial é uma parte crucial do projeto estratégico da Petrobras para o período de 2023-2027, com investimentos estimados em US$ 3 bilhões. Essa região compreende cinco bacias sedimentares: foz do rio Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, enfatizou que a empresa está seguindo rigorosamente os procedimentos estabelecidos pelo Ibama e aguarda a emissão da licença ambiental. Ele destacou que o Ibama é responsável por determinar em quais áreas a empresa pode avançar em cada etapa do processo exploratório.
Em outra frente, a Companhia Potiguar de Gás (Potigás) lançou o Polo Gás Sal, um gasoduto de R$ 26 milhões que beneficiará a região salineira do Rio Grande do Norte. Esse gasoduto, que se estenderá desde o município de Mossoró até Areia Branca, ao longo da BR-110, abastecerá indústrias, especialmente as da indústria salineira, postos de combustíveis, comércios e residências. Esse investimento é considerado fundamental para impulsionar a indústria do sal no estado e torná-la mais competitiva.
A governadora Fátima Bezerra destacou a importância desse investimento para a indústria salineira e a geração de empregos e renda. A Potigás planeja dobrar seus investimentos nos próximos três anos, totalizando R$ 50 milhões, para impulsionar o desenvolvimento econômico do estado.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal, Airton Torres, ressaltou que o gás natural tornará o sal potiguar mais competitivo, ajudando a retomar sua posição no mercado. O secretário de estado do Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, também destacou os esforços do governo para tornar o gás natural acessível às indústrias, incluindo a redução do ICMS para 12% nas empresas que utilizam esse recurso.