A oposição no Congresso Nacional pretende divulgar os nomes de deputados e senadores que retirarem a assinatura do pedido de instalação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar as fraudes no INSS. O requerimento foi protocolado na segunda-feira (12), mas a pressão para esvaziar o apoio já começou nos bastidores.
A estratégia é uma resposta direta à movimentação do governo para conter o avanço da proposta. Parlamentares governistas têm atuado para convencer colegas de partidos aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a retirarem seus nomes do pedido, numa tentativa de enterrar a comissão.
Entre as 171 assinaturas reunidas até agora, quase metade vem de partidos com ministros no governo. O PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin, teve seis parlamentares apoiando o pedido. No União Brasil, sigla com três ministérios, foram 39 assinaturas. O partido, embora tenha parte da bancada na base, tem como principal articulador o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP).
Outros partidos com presença na Esplanada também colaboraram com o requerimento:
PP (comanda o Ministério do Esporte): 28 assinaturas
PSD (3 ministérios): 20 assinaturas
MDB (3 ministérios): 15 assinaturas
Inicialmente, a oposição adiou o protocolo da CPMI para angariar mais apoios, mesmo já tendo atingido o número mínimo necessário. A nova estratégia, no entanto, foi formalizar o pedido agora para aumentar a visibilidade midiática e atrair mais adesões. Somente nesta segunda-feira (12), mais 10 parlamentares assinaram o requerimento.
Para que a CPMI seja oficialmente criada, o pedido precisa ser lido em sessão do Congresso Nacional pelo senador Davi Alcolumbre, que preside a Casa. A próxima reunião está prevista para o dia 27 de maio, mas até o momento, Alcolumbre tem demonstrado resistência à instalação da comissão, conforme relatado por interlocutores.
A oposição, por sua vez, promete manter a pressão e não vai poupar nomes de quem recuar diante das articulações do Planalto.