A Noruega anunciou o investimento de cerca de US$ 3 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), criado pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais em todo o mundo. A proposta, apresentada oficialmente durante a Cúpula de Líderes em Belém, antes da COP30, também recebeu apoio de países como Indonésia, Portugal e Alemanha. O fundo será administrado pelo Banco Mundial e busca criar uma estrutura permanente de financiamento, tratando a preservação das florestas como um ativo global, e não apenas como responsabilidade dos países que as abrigam.
O TFFF propõe um sistema internacional de pagamentos que remunera financeiramente países que mantêm suas florestas em pé, proporcionalmente à área preservada. O modelo aplica uma lógica de mercado ao financiamento climático: pretende captar cerca de US$ 125 bilhões em investimentos privados, que serão reinvestidos em projetos rentáveis. A diferença entre os rendimentos e os pagamentos aos investidores o chamado “spread” será usada para pagar os países conservacionistas, transformando a manutenção das florestas em uma forma de “renda florestal global”.
Apesar de ser considerado uma das principais apostas do governo brasileiro para a COP30, o fundo divide opiniões. Ambientalistas e alguns governos questionam sua eficácia, governança e o risco de que o mecanismo privilegie o retorno financeiro em detrimento da preservação ambiental real. Já defensores da proposta destacam que o TFFF pode garantir recursos estáveis e de longo prazo, reforçando o papel dos países tropicais como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo na regulação do clima e no combate às mudanças climáticas globais.