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Incêndios fora de controle abalam a Espanha e a França

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26 de jul. de 2026
Há 11 h atrás
Incêndios fora de controle abalam a Espanha e a França
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Poderosos incêndios florestais que chegaram a formar redemoinhos de fogo devastavam regiões da França neste sábado, enquanto a Espanha também combatia um grande incêndio, com mais de 300 mil pessoas evacuadas nos dois países e autoridades alertando para uma “noite difícil”.

Mais cedo neste sábado, autoridades dos dois países haviam indicado que a intensidade de alguns focos de incêndio havia diminuído. Mas, ao anoitecer, determinaram novas evacuações em larga escala, à medida que o incêndio na região de Gironde, no sudoeste da França, onde fica a famosa região de Bordeaux, voltou a ganhar força.

O fogo criou “seus próprios ventos, inclusive com redemoinhos”, afirmou o capitão dos bombeiros Nicolas Braz, descrevendo o incêndio como “errático e impossível de controlar”. “Será mais uma noite difícil”, disse.

Na Espanha, as autoridades também determinaram novas evacuações nas proximidades de Toledo, ao sudoeste de Madri, enquanto se preparavam para um agravamento da situação. “Hoje estamos bem mais pessimistas do que estávamos ontem”, afirmou o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. “As condições meteorológicas não ajudaram em nada”, acrescentou.

“A noite não será muito positiva nem favorável para nós”, alertou, dizendo que as rajadas de vento devem empurrar o fogo para o sul. “A situação é complexa”, destacou.

“CATÁSTROFE”

Bombeiros exaustos, trabalhando sem parar há dias, não conseguiram conter os incêndios, que já causaram a morte de dois bombeiros franceses nas proximidades de Bordeaux no início desta semana.

Outro incêndio florestal, próximo à cidade espanhola de Valência, matou uma pessoa neste sábado antes de ser controlado pelos bombeiros.

Na França, inicialmente cerca de 197 mil pessoas foram retiradas das áreas próximas ao popular destino turístico de Bordeaux — uma das maiores evacuações em tempos de paz da história do país. Posteriormente, cerca de 3 mil moradores puderam retornar para casa.

No fim da tarde deste sábado, outras 55 mil pessoas receberam ordem para deixar a região. O total de evacuados apenas em Gironde ultrapassou 200 mil, informaram as autoridades.

Na Espanha, onde cerca de 60 mil pessoas haviam sido retiradas de vilarejos a oeste de Madri mais cedo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a prioridade era “salvar vidas”.

Pelo menos oito municípios próximos de Toledo também receberam ordens de evacuação no fim do dia, embora não tenha sido informado quantas pessoas foram afetadas.

Na cidade espanhola de Brunete, a oeste de Madri, a prefeita Mar Nicolas disse à AFP que estava “muito preocupada”. “Todos os anos há incêndios, mas este foi tremendo”, afirmou. “É uma catástrofe”.

CONDIÇÕES EXTREMAMENTE FAVORÁVEIS AO FOGO Os incêndios avançaram rapidamente na Espanha e na França devido às condições de vegetação extremamente seca, agravadas pelas sucessivas ondas de calor que atingem os dois países desde maio.

Cientistas afirmam que o aquecimento global está intensificando as secas e tornando os eventos climáticos extremos mais frequentes e severos. A Europa é o continente que mais aquece no planeta em razão das mudanças climáticas.

Os dois países receberam ajuda da União Europeia com o envio de aeronaves de combate a incêndios de outros países europeus.

A França mobilizou 1.500 militares e 1.700 agentes de segurança para auxiliar os bombeiros na região de Bordeaux. Neste sábado, um avião militar de transporte A400M passou a integrar a operação aérea, somando-se às aeronaves menores que lançam água sobre as chamas.

Dezenas de bombeiros também foram enviados de Paris para reforçar o combate ao fogo. O ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu, informou que 1.400 bombeiros estavam atuando diretamente nos incêndios.

As autoridades locais improvisaram abrigos de emergência em escolas e ginásios esportivos no sudoeste francês para receber turistas e moradores que deixaram suas casas sem saber o que encontrarão ao retornar.

A turista irlandesa Nuala Kelly, de 75 anos, disse nunca ter visto algo semelhante. “Nunca, nunca, nunca. Viajei o mundo inteiro e enfrentei todos os tipos de situações, mas jamais vi algo assim”, afirmou à AFP no centro de exposições de Bordeaux, transformado em abrigo para milhares de pessoas.

O francês Olivier Stewart, de 38 anos, que deixou a vila de Mérignac com a esposa e os filhos pequenos, disse que as crianças eram as mais abaladas. “Eles acham que o incêndio vai destruir nossa casa, mas estamos conseguindo lidar com isso”, contou.

A etapa final do Tour de France deste domingo foi encurtada depois que o Ministério do Interior informou que precisaria deslocar policiais originalmente escalados para a segurança da prova a fim de reforçar o combate aos incêndios.

ÁREA QUEIMADA BATE RECORDE As gigantescas nuvens de fumaça produzidas pelos incêndios na França e na Espanha começaram a se conectar na atmosfera, segundo imagens de satélite divulgadas pela agência meteorológica espanhola Aemet.

Os incêndios que atingem atualmente a França já queimaram quase 98 mil hectares, um “recorde histórico”, afirmou o ministro do Interior, Laurent Nunez.

Somente no sudoeste francês, as chamas consumiram mais de 32 mil hectares — uma área equivalente a três vezes a superfície da cidade de Paris — e destruíram pelo menos 100 edificações. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou neste sábado que o país “vai reconstruir”.

Na Espanha, os incêndios a oeste de Madri já devastaram até 25 mil hectares, segundo o Ministério do Interior. Dois dos três grandes incêndios que atingem a região já se uniram em um único foco, que ameaça se expandir ainda mais e formar um gigantesco incêndio a poucos quilômetros da capital espanhola.

MerSul

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