O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou que a Polícia Federal (PF) assuma a investigação sobre a suposta espionagem ilegal realizada pela Polícia Civil de Pernambuco contra aliados do prefeito de Recife, João Campos (PSB). A decisão atende a um pedido da defesa e paralisa qualquer apuração que estava sendo conduzida pelo Ministério Público de Pernambuco (MP-PE) e pela polícia estadual.
O caso envolve o suposto monitoramento do secretário de Articulação Política do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e de seu irmão, Eduardo Monteiro. Segundo a denúncia, agentes da Polícia Civil estariam vigiando os passos dos aliados do prefeito sem a devida autorização judicial e com "desvio de finalidade".
Em sua decisão, Gilmar Mendes apontou a existência de indícios de que o aparato estatal de segurança pública estaria sendo utilizado para fins políticos, caracterizando o que chamou de "fishing expedition" (pescaria probatória) — uma prática ilegal em que se busca, sem objetivo definido, encontrar algo que incrimine os investigados. O ministro destacou que a situação é grave, especialmente considerando o contexto pré-eleitoral, visto que João Campos é apontado como provável adversário da atual governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), nas eleições de 2026.
Com a determinação, a Polícia Federal deverá instaurar um inquérito para apurar se houve monitoramento clandestino e quem seriam os responsáveis pelas ordens. Além disso, Gilmar Mendes encaminhou o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que avalie a conduta dos promotores estaduais envolvidos na investigação original.
A defesa dos irmãos Monteiro alega que a operação policial, que incluía campanas e registros fotográficos, não possuía fato determinado e visava apenas constranger o grupo político do prefeito. O governo de Pernambuco, por sua vez, negou irregularidades e afirmou que a ação policial decorria de uma investigação legítima iniciada a partir de denúncias anônimas.
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