A Polícia Civil do Rio Grande do Norte divulgou os detalhes da operação Caronte, que resultou na detenção de sete indivíduos e na execução de 33 mandados de busca e apreensão contra o que é descrito como "o maior grupo de extermínio" do estado. Esta quadrilha é suspeita de envolvimento em 41 assassinatos, além de práticas como extorsão, tráfico de drogas, e a comercialização ilegal de armas e munições. Os mandados foram cumpridos em bairros da Zona Norte de Natal e no município de Extremoz.
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, ao longo de 2023, foram observadas várias coincidências nos homicídios ocorridos em Natal, especialmente na Zona Norte, e em municípios da Região Metropolitana como São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e Extremoz. Tais coincidências incluíam o modus operandi dos crimes, os veículos utilizados, o tipo de armamento empregado, entre outros detalhes.
Por meio de uma colaboração com o Setor de Perícias de Balística Forense do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP/RN), as suspeitas sobre a existência de um grupo armado envolvido nos homicídios foram confirmadas. Os confrontos balísticos entre os casos investigados sistematicamente apresentaram resultados positivos. A DHPP identificou 41 assassinatos em apenas seis meses, todos cometidos com as mesmas armas de fogo, distribuídos em Natal, São Gonçalo do Amarante e Extremoz.
Diante da possibilidade de um "grupo de extermínio", foi aberto um Inquérito Policial para investigar os crimes. Com a ajuda da FICCO/RN, descobriu-se a atuação de uma milícia armada, que contava até com membros das forças de Segurança Pública. Os suspeitos utilizavam uma rede de informantes, inclusive agentes de segurança, para identificar os alvos, escolhidos com base em motivos financeiros ou para consolidar o controle sobre determinadas áreas.
Após a seleção dos alvos, os membros do grupo buscavam aliados nas forças de segurança para afastar as patrulhas da área antes de realizar as ações criminosas. Eles invadiam as residências das vítimas, muitas vezes se passando por policiais, para então roubar bens de valor e executar os moradores. Após os assassinatos, as drogas e armas eram repassadas a um terceiro núcleo do grupo, encarregado de sua comercialização.
Durante a operação, foram apreendidos um veículo blindado, uma motocicleta de luxo, 20 quilos de cocaína, seis armas de fogo e várias munições. A ação recebeu o nome de "Caronte", em referência ao barqueiro da mitologia grega que conduzia as almas dos falecidos através dos rios que separavam o mundo dos vivos do mundo dos mortos.
A Polícia Civil incentiva a população a continuar fornecendo informações de forma anônima através do Disque Denúncia 181. A operação foi realizada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em conjunto com a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR), com apoio da Polícia Federal através da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO).