O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é lembrado anualmente em 18 de maio e busca chamar atenção para a importância do cuidado humanizado e da garantia de direitos das pessoas em sofrimento psíquico. Em Natal, a data foi marcada por uma programação cultural e artística realizada nesta segunda-feira (18), no Palácio dos Esportes.
As atividades começaram com uma caminhada percussiva na Praça Cívica e seguiram com apresentações de dança criativa e cultural promovidas pelos integrantes do CECCO Harmonia e Liberdade, oficina musical “A sorrir pretendo levar a vida”, do CAPS Nise da Silveira (II Oeste), além de apresentações do grupo de música do CAPS AD Leste e do grupo “Som da Varanda”, do CAPS AD Norte.
Para o coordenador municipal de Saúde Mental, Flávio Medeiros, a ação reforça a importância da defesa do cuidado em liberdade. “A luta antimanicomial representa a defesa da dignidade humana e do direito das pessoas em sofrimento psíquico serem acolhidas com respeito, inclusão e cidadania”, afirmou.
Flávio também destacou ações voltadas ao fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no município. Entre elas estão a capacitação de mais de 400 médicos da atenção básica para acolhimento e cuidado integral em saúde mental, além da construção de um CAPS III voltado para transtornos mentais na Zona Norte de Natal, com previsão de funcionamento em 2027.
Ainda no primeiro semestre deste ano, está prevista a inauguração do CAPS de Santos Reis, serviço que deverá ampliar a assistência em saúde mental em uma área estratégica da cidade. Também está prevista para este ano a entrega de um novo Centro de Convivência e Cultura (CECCO), voltado ao fortalecimento de ações de convivência, inclusão social e reinserção comunitária.
“Esses avanços mostram a importância de ampliar a rede de cuidado em saúde mental e fortalecer os serviços públicos voltados à população”, afirmou Flávio.
Cristiane Andrade é acompanhada há três meses no CAPS Nise da Silveira e contou que encontrou na oficina de música um espaço de acolhimento e expressão. “Eu sofro de depressão há muitos anos. A música é tudo para mim, me liberta, me deixa feliz, eu esqueço das dores. Fui muito bem recebida pelos psicólogos, psiquiatras e toda a equipe que trabalha lá, assim como pelo grupo, que me acolheu de um jeito que eu não tenho nem palavras. Já falei para eles: não saio de lá por nada, porque isso está me fazendo um bem danado”, relatou a usuária, que participou de uma das apresentações do dia.
Desenvolvido pelos serviços especializados em Saúde Mental vinculados ao Núcleo de Saúde Mental de Natal, o evento foi idealizado por usuários e trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A programação também buscou reforçar os princípios da reforma psiquiátrica, defendendo o cuidado humanizado, a ampliação dos serviços substitutivos e a valorização da convivência comunitária no atendimento em saúde mental.