Há décadas, a Avenida das Alagoas, em Neópolis, zona Sul de Natal, tem sido ocupada por famílias em busca de doações nos meses que antecedem as festas de fim de ano. O cenário se repete em 2024, com dezenas de barracos e tendas improvisadas ao longo da via.
Segundo relatos, as ocupações começaram há cerca de dois meses e se intensificaram nas últimas semanas. Estima-se que mais de 100 pessoas estejam no local, incluindo crianças, idosos e adultos, vindos de diversas cidades do Rio Grande do Norte, como Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Ceará-Mirim, além de outros estados, como a Paraíba.
As histórias são marcadas por vulnerabilidade social. Muitos estão desempregados e, em alguns casos, sem acesso a benefícios como o Bolsa Família. Eles dependem de doações de alimentos, roupas e outros itens para sobreviver.
A Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal (Semtas) informou que realiza o acompanhamento dessas famílias por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas). O trabalho inclui acolhimento, orientação e encaminhamento para serviços socioassistenciais.
“O Seas busca assegurar o trabalho social de abordagem e identificar situações de risco e violações de direitos, como trabalho infantil e exploração sexual. Essas pessoas são encaminhadas aos serviços disponíveis no município”, afirmou a Semtas em nota.
Embora a solidariedade dos natalenses seja tradicional nesta época, o fenômeno das ocupações reflete a persistência das desigualdades sociais e destaca a necessidade de políticas públicas mais eficazes para mitigar os efeitos da pobreza e garantir condições dignas para essas famílias.