Os contribuintes do Rio Grande do Norte já devem se preparar para a declaração do Imposto de Renda (IR) 2026. Embora ainda não tenha sido formalizado pela Receita Federal, o período para entrega geralmente inicia em março e segue até o último dia útil de maio. Se preparar com antecedência é o melhor caminho para evitar surpresas. Um aspecto a que o contribuinte deve ficar atento é que a isenção aprovada no ano passado não se aplica à declaração que será entregue este ano, uma vez que ela tem como base o ano de 2025. Os efeitos da isenção, portanto, só se darão em 2027.
A contadora Eduarda Lacerda chama atenção para esse ponto, especialmente porque, segundo ela, é comum que historicamente os contribuintes não se atentem sobre a obrigatoriedade de prestar contas ao leão. “É importante lembrar que, para aqueles isentos na nova regra, a dispensa [de entregar a declaração] vai ocorrer somente no próximo ano, já que para 2026 serão declaradas as informações de 2025”, afirma. A vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do RN (CRC-RN), Cláudia Leite, explica que, para 2026, o cruzamento de dados da Receita Federal quanto às informações para declaração de IR deve ser ainda mais rigoroso.
“O cruzamento é feito com imobiliárias, serviços médicos, movimentações bancárias e investimentos, criptoativos, operações em bolsa e pix (movimentações atípicas) para ter maior fiscalização sobre ganho de capital na venda de bens, rendimentos no exterior, aplicações financeiras, atividade rural e atualização de valor de bens. A tendência é a ampliação das informações já carregadas automaticamente. Para o contribuinte, o desafio não é apenas preencher, é revisar inconsistências da pré-preenchida”, fala Cláudia Leite.
Por conta disso, segundo Eduarda Lacerda, um planejamento adequado, que inclui antecipar a declaração e buscar orientação especializada, são essenciais para evitar problemas. “É comum que as pessoas entreguem a declaração zerada e depois se esquecem de retificar. Outras não estão com a documentação completa na hora de declarar, então, procurar se preparar com antecedência é o melhor caminho”, diz.
Além disso, segundo a vice-presidente do CRC-RN, Cláudia Leite, é recorrente o contribuinte omitir rendimentos, errar ao informar despesas médicas, fazer a atualização incorreta de bens e esquecer rendimentos isentos, como lucros e dividendos, doações recebidas e indenizações. Ela ensina o que deve ser feito para evitar a malha fina. A dica de ouro é organizar a documentação ao longo do ano.
“O contribuinte deve guardar recibos médicos, arquivar informes bancários, manter controle de compra e venda de bens, controlar dependentes, verificando se ele possui renda própria e avaliando se vale a pena incluí-lo. Por fim, não se pode enviar a declaração sem revisá-la”, destaca. A contadora Eduarda Lacerda orienta que os contribuintes devem escolher entre a declaração completa ou simplificada com base na própria situação.
“Essa escolha tem a ver com as despesas dedutíveis e também se há ou não dependentes”, pontua Eduarda Lacerda. Para contribuintes sem muitos gastos dedutíveis, a melhor opção pode ser o modelo simplificado. Já quando há muitas despesas dedutíveis (saúde, educação, dependentes e outros), a melhor saída é a declaração completa. Para isso, Eduarda Lacerda chama novamente a atenção quanto à inserção correta das informações.
“Em se tratando de gastos com saúde, a compra de óculos e de remédio não devem entrar na declaração”, ensina. “Se as deduções ultrapassarem o desconto padrão da simplificada, a completa será mais vantajosa. A simplificada costuma ser melhor quando há poucas despesas dedutíveis, quando o contribuinte é solteiro, sem dependentes e possui renda com poucas variações”, fala Cláudia Leite.
Ficar atento ao processamento completo da declaração é importante para evitar cair na malha fina. “Caso não haja atenção nesse ponto, o contribuinte fica com a chamada multa de ofício, que pode dobrar o valor do imposto a pagar”, diz a contadora Eduarda Lacerda. “A malha fina não é azar. Na maioria das vezes é falta de organização ou orientação técnica”, aponta a vice-presidente do CRC-RN.
Tribuna do Norte