Por mais de seis décadas, Amou Haji viveu em completa rejeição à água e ao sabão. Nascido em Dejgah, no sul do Irã, ele tornou-se conhecido como o “homem mais sujo do mundo” — um título que carregava sem constrangimento.
Haji teria decidido abandonar os banhos após traumas e desilusões da juventude. Convencido de que a limpeza traria doenças, isolou-se da sociedade e passou a viver em abrigos improvisados, cercado de sujeira, pó e fuligem. Vestia trapos, alimentava-se de restos de animais e fumava esterco seco quando não encontrava tabaco.
Mesmo com hábitos extremos, era respeitado pelos moradores da pequena Dejgah, que o viam como um eremita excêntrico. Alguns lhe levavam comida e água, e ele aceitava em silêncio, com um raro aceno de gratidão.
Nos últimos anos de vida, médicos e pesquisadores tentaram estudar seu caso, intrigados com a resistência de seu corpo às doenças. Ele sempre recusava exames ou qualquer tentativa de limpeza. Em 2022, aos 94 anos, cedeu pela primeira vez e tomou banho — semanas depois, morreu.
Sua história continua a provocar fascínio e espanto, símbolo de como o corpo humano e a mente podem ultrapassar os limites da compreensão.


